“Eu estava injetando cocaína há uns três dias seguidos com meu traficante mexicano, Mario, quando me lembrei do show do Arizona. Minha banda já tinha lançado um álbum e estávamos prestes a ir para Michigan...”

  Ouvia a voz serena dele enquanto lia o primeiro capítulo da autobiografia de seu cantor favorito. Vezes ele me olhava achando graça em alguma coisa, vezes errava uma palavra e me perguntava. Estávamos deitados em uma posição tão agradável que era desnecessário se mover. Levemente pousei minha mão em sua cintura e continuei a ouvi-lo, lutando para que meu desejo de agarrá-lo ali mesmo passasse logo.
“Horas depois, acordei banhado em suor porque estava deitado em cima do motor e a temperatura lá fora era de pelo menos 45 graus. Mas me sentia ótimo. Flea e eu dividimos um comprimido de LSD e sacudimos a churrascaria.”
  Mas não passou. Com um movimento rápido ele fechou o livro e eu me perguntei em silêncio “Será que já acabou e eu dormi aqui?”. Como se respondesse minha pergunta muda, ele disse que terminaria de ler mais tarde. Eu apenas concordei. Estava me sentindo tão bem, de uma forma inimaginável, que permaneci com os olhos fechados. Senti sua boca encostar, tímida, na minha. Sem pressa, retribui o beijo, retribui o carinho, retribui a timidez. Com todos os nervos sensoriais possíveis e existentes do meu corpo eu o senti me tocando como se toca um flor. Com medo de o menor impasse fazê-la se despedaçar. Ficamos assim por alguns minutos, me fazendo jurar terem sido horas. Levemente ele subiu sua mão nas minhas costas e tentou tirar o fecho do meu sutiã. Eu só podia tentar memorizar cada ação dele. Levantei um pouco sua camisa, bloqueando qualquer impulso que me fizesse parecer ansiosa demais naquele momento.  Mais calmo do que o normal, ele encaixou melhor seu corpo no meu, enquanto deslizava sua mão para acariciar meu peito. Soltei um suspiro entre o beijo, incentivando-o a continuar. Movendo-me devagar tirei sua camisa e o beijei no pescoço. Meu deus, como sou tarada por esse pescoço. Depois de me livrar do meu vestido, me deitei por cima dele. Minha meia calça apertava, mas eu não estava me importando muito com isso. Ele deslizou suas mãos pelos meus braços, pelas minhas costas, pela minha cintura, pela minha bunda, pelas minhas pernas. Não havia urgência nenhuma ali. Levantei-me frustrada com a bagunça que meu cabelo fazia. Ele sorriu. Resolvi continuar mesmo sabendo que não teria solução. Fechei meus olhos, disse para ele fazer o mesmo e sussurrei no seu ouvido “apenas me sinta”. Ele me olhou como se entendesse mas não soubesse o que eu estava pronta para fazer. Desci por seu corpo aos beijos, ele sentiu cócegas. Abri o fecho de sua calça e tirei seu membro de dentro da cueca cinza que usava. Sem pressa nenhuma, o molhei com minha língua aos poucos, tentando provocar. Deu certo, ele gemeu. Avancei mais e o coloquei devagar na boca, movimentando a língua enquanto subia e descia. Olhei pra ele e me surpreendi ao ver que ele também me olhava. Passou a mão nos meus cabelos e os segurou por mim. Era minha deixa pras coisas ficarem mais intensas, mas eu estava entretida demais em apenas provocar. Prolonguei os movimentos enquanto acariciava suas bolas. Senti a excitação dele aumentar então aumentei a movimentação. Ele segurou forte meu cabelo quando estava quase na hora e eu permaneci com o membro dele na minha boca. Gozou. Riu de prazer. Fechou os olhos e ficou assim por alguns minutos, satisfeito. Deitei-me ao seu lado, com uma perna em cima da sua e o beijei no rosto, satisfeita.
  Ele rolou pra cima de mim e me deu um beijo demorado e profundo. Senti todo seu corpo ferver em mil graus contra o meu. Me beijou na nuca, me deixou excitada. Tirou minha meia calça e minha calcinha juntas em um único movimento. Passou suas mãos pelas minhas pernas até chegar à região mais sensível. Fez movimentos circulares com o dedo no meu clitóris enquanto eu gemia com um prazer inigualável. Pegou minhas pernas e me puxou pra mais perto, me deu um beijo enquanto fazia seu dedo se movimentar dentro de mim. Acabei por interromper o beijo com falta de ar, mas isso não o fez parar nem por um segundo.  Encostou sua cabeça do lado da minha e me ouviu gemer no seu ouvido. Com a mão livre pegou seu membro, se ajeitou e o introduziu de uma vez. Senti como se todo meu corpo fosse quebrar e em seguida parecia não existir nada no mundo melhor que essa sensação. Ele gemia, entrava e saia com movimentos contínuos. Quando viu que eu já estava puxando os lençóis da cama, ele me pegou e me colocou de quatro na sua frente. Gentilmente passou sua língua na minha buceta e delirei por minutos inesgotáveis. Ele pegou novamente seu membro e o colocou dentro. Segurou minha cintura com tanta força que achei difícil não gritar de prazer nesse momento. Encostei minha cabeça no travesseiro e o mordi pra evitar isso. Ele meteu, meteu e meteu. Eu não pude pensar em nada mais gostoso. Quando percebi ambos estávamos no pico. Gozamos ao mesmo tempo. Joguei-me na cama exausta e ele se jogou de bruços ao meu lado. Estagnado. Insuficientemente busquei por existência de ar naquele quarto. “Eu te amo”, ele disse. E dormiu sorrido.


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"Slip inside the eye of your mind. Don't you know you might find, a better place to play?"